Cultura, Arte e Tecnologia

mobgraphia no mundo acadêmico

A estudante de jornalismo Isabela Lacerda, da Universidade Federal de Goiás, nos envia seu texto parte de seu trabalho em produção de texto jornalístico 2.
Gostamos muito da objetividade e clareza com que Isabela retrata nosso movimento!

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Foto João Avila

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A Fotografia na era digital
Movimento dependente das redes sociais, a Mobgraphia é uma opção às câmeras fotográficas profissionais
Isabela Lacerda

“A melhor câmera é aquela que está sempre com você”, afirma Chase Jarvis, fotógrafo estadunidense, no título de seu livro lançado em 2009. No livro, Jarvis promove seu aplicativo de edição de fotos, o Best Camera, e incentiva a utilização da câmera do celular por fotógrafos profissionais. Esse incentivo e sua frase célebre traduzem com muita propriedade, a essência da Mobgraphia.Criado pelo fotógrafo Cadu Lemos, o termo Mobgraphia é utilizado para definir fotografias capturadas e editadas em plataformas móveis – celulares, tablets, etc. “Criei o nome, a partir de uma conversa com amigos também fotógrafos, para que fosse algo inclusivo, considerando todas as plataformas móveis disponíveis”, afirma Lemos.
Inúmeros workshops, festivais e prêmios nacionais patrocinados pela Samsung, participação na 5ª Mostra São Paulo de Fotografia e uma exposição coletiva no Museu da Imagem e Som de São Paulo – MIS SP, influenciaram na popularidade do movimento. E mesmo que muitos desconheçam a origem, as propostas ou até o nome Mobgraphia, já fazem parte do movimento nas redes sociais.”A Mobgraphia não existe separada das redes. Nada é mais impactante do que captar algo importante para você e dividir imediatamente para o resto do mundo. Isso só é possível com esta estrutura que está disponível com essas plataformas”, explica Lemos. Por exemplo, em uma rede social de compartilhamento de imagens, o Instagram, existem mais de três mil imagens agrupadas na hashtag – uma espécie de pasta virtual – Mobgraphia.
Nova ferramenta
O atributo que hoje é um item de peso na escolha de um celular, em 2002, quando o primeiro aparelho com câmera foi lançado pela marca japonesa Sprint Sanyo, era considerado, uma ideia tola e supérflua. O SCP-5300 continha uma câmera com uma resolução baixa, 640×480 e zoom de apenas três metros de alcance. Logo após o lançamento e o estranhamento passar, o público aderiu à ideia e hoje não abrimos mão desta.
Doze anos depois, a baixa resolução foi substituída por resoluções comparáveis com câmeras fotográficas. O Nokia Pureview 808, por exemplo, contém 41 megapixels, uma das câmeras mais poderosas dessa nova geração de smartphones. A alta resolução, entretanto, tem um custo elevado; a faixa de preço dos smartphones com câmeras notáveis é de 700 a 2000 reais.De acordo com pesquisa realizada pela Agencia Nacional de Telecomunicações, Anatel, 35% dos brasileiros trocam de celular uma vez por ano. A diversidade de aparelhos atrai diversos públicos por não se restringir apenas no envio de mensagens ou na realização de chamadas, o celular tornou-se uma ferramenta de trabalho, principalmente para as novas correntes da fotografia.
CenáriosVista como hobbie entre fotógrafos, a Mobgraphia tornou-se uma alternativa às câmeras profissionais. A diferença de peso, a facilidade e a despreocupação com questões técnicas, são atrativos que atraíram Ben Lowy, por exemplo. Fotógrafo estadunidense especializado em documentar conflitos bélicos e catástrofes naturais, Lowy cobriu a guerra do Iraque em 2003 com um iPhone e foi capa de diversas publicações de peso, como Times e Fortune.Em seu blog, Lowy explica que “o que os escritores fazem com a prosa, fotógrafos fazem com o estilo. Eu queria contar a história da Líbia de um jeito diferente do que as lentes de 35mm faziam e o que as pessoas estavam acostumadas”. E conseguiu. Em uma série de imagens impactantes e sensíveis, Lowy retrata “uma perspectiva distante e isolada em um país que é tão vazio, tão desolado em uma situação tão terrível”, a partir de janelas à prova de balas.
No cenário nacional, um fotógrafo que deixou de lado as DSLR – sigla utilizada para se referir às câmeras profissionais, foi César Ovalle. Fotógrafo a mais de sete anos, Ovalle, é reconhecido por seu trabalho nas capas dos discos da banda paulistana NX Zero em 2008. “Eu fotografo tanto com uma câmera quanto com um celular e essa escolha depende do que o cliente quer ou do momento”, explica.
“Graças ao grupo Mobgraphia criado por dois amigos fotógrafos, consegui entrar com duas exposições no MIS esse ano. Sem dúvida alguma é uma satisfação muito grande fazer parte desse movimento, e consequentemente, da história da fotografia móvel no Brasil”, conta Ovalle. Entretanto, a popularidade ainda não é o suficiente para convencer alguns fotógrafos.Para Ana Carolina Póvoas, fotógrafa goiana, a Mobgraphia poderia ser uma opção para suprir uma necessidade momentânea ou para dar um suporte diferenciado a um trabalho fotografado convencionalmente, todavia não abre mão das câmeras profissionais. “Minha história pessoal com a fotografia não abre tanto espaço. Gosto de usar a câmera escura, de dominar o aparato pelo conhecimento que adquiri tecnicamente e com a prática, sem ter que usar efeitos no pós click”, explica Póvoas.
As redes sociais fotográficas são ambientes para a divulgação de trabalhos de fotógrafos amadores e profissionais que anos atrás não existia. Entretanto, para Lemos, isso é uma faca de dois gumes; “O que acontece hoje é que todo mundo fotografa e compartilha. Isso gera um volume absurdo de lixo visual. Isso prova que o olhar diferenciado de um verdadeiro fotógrafo nunca perderá seu espaço”.
A melhor luz, o melhor ângulo e o momento certo estão disponíveis em todo lugar e com diversas possibilidades de captação. O fotógrafo austríaco do século 20, Ernst Haas, afirmou que “a câmera não faz diferença nenhuma. Todas elas gravam o que você está vendo. Mas você precisa ver”. E no fundo a Mobgraphia trata disso: do incentivo à sensibilidade no olhar, seja ao observar um local, um ato ou uma nova proposta fotográfica.

Orientação: Prof Angelita Lima Edição: Evangicléia Souza Produção de Texto Jornalístico II Universidade Federal de GoiásFaculdade de Informação e Comunicação

Esta entrada foi publicada em agosto 16, 2014 às 12:59 pm e está arquivada sob Uncategorized. Guarde o link permanente. Seguir quaisquer comentários aqui com o feed RSS para este post.

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