Cultura, Arte e Tecnologia

Oitenta mundos entrevista Eugênio Sávio

Bom dia e boa semana para todos os amigos da mObgraphia!

Hoje reproduzimos a entrevista feita pelo Júlio Boaventura Jr e Manuela Rodrigues do Site Oitenta mundos. A entrevista é muito bacana e mostra um pouco mais deste grande empreendedor da fotografia. Em março, acontecerá a 5a.edição do Festival de Tiradentes, um dos mais importantes do cenário fotográfico brasileiro. A mObgraphia já confirmou presença com workshop e atividades diversas.

Conheça mais aqui: http://www.oitentamundos.com.br/ e aqui.

EUGÊNIO SÁVIO

Fotógrafo e idealizador do Festival de Fotografia de Tiradentes.

Eugênio Sávio é fotógrafo, professor, produtor cultural e atual presidente da Rede de Produtores Culturais Fotográficos. Nesta entrevista, conversamos com ele sobre o início de sua carreira, o projeto Foto em Pauta, o Festival de Tiradentes, a Rede de Produtores Culturais, importância dos festivais e os desafios e oportunidade na área.

COMO FOI SEU PRIMEIRO CONTATO COM A FOTOGRAFIA?

Meu pai sempre gostou de fotografia e durante um período da vida, quando eu era pequeno, foi um fotógrafo amador. Acho que fui seu principal modelo [risos]. Depois disso, o equipamento dele ficou abandonado lá em casa. Ele tinha algumas câmeras Pentax, laboratório, etc. Tenho lembranças dele revelando fotos até hoje.

Por volta dos meus 14, 15 anos, resolvi investigar aqueles equipamentos. Aos dezesseis passei a levar mais a sério, e comecei a fotografar meus colegas do colégio. Quando cheguei na universidade, encontrei um ambiente interessante pra que isso fosse ampliado. No curso de jornalismo, tive aulas fotografia na Escola de Belas Artes da UFMG, onde encontrei pessoas que se tornaram referências muito fortes pra mim e que me ajudaram muito. Nesta época, também formei uma turma de uns oito, dez amigos fotógrafos de Belo Horizonte que foi muito importante. Fizemos um grupo de estudos, e até algumas exposições coletivas na época, e isso marcou muito a carreira de nós todos, vários são fotógrafos ainda e alguns viraram professores.

Dos dezessete aos vinte e um anos, tive a possibilidade de evoluir como fotógrafo. Comecei a trabalhar com fotojornalismo e com fotografia de esporte. Como eu gostava de esporte, acabei me dedicando bastante na área, e como todo fotógrafo, sempre gostei muito de viajar. Então acabou sendo uma coisa natural ir fotografar a Copa do Mundo de 94 nos Estados Unidos, que foi incrível. Encontrei amigos, consegui fazer vários trabalhos, ganhei algum dinheiro e o Brasil ainda ganhou a copa.

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Copa do Mundo na Alemanha, 2006 / Foto de Eugênio Sávio.

Mas sempre fiz as viagens nesse espírito empreendedor do meu próprio negócio. Eu não ia contratado por nenhum veículo. Eu mesmo viabilizava parcerias e conseguia clientes. Eu avisava as revistas e jornais que estaria na Copa do Mundo e aí sempre rolava oportunidades. Desse jeito também fui para as copas da França (1998), Alemanha (2006), olimpíada da China (2008) e a copa da África (2010). Só nessas duas últimas que fiz contrato com um jornal. Com isso acabei fotografando esporte mais porque eu gostava de viajar [risos].

E além disso, no Brasil o esporte é perfeito para conseguir conciliar com outras atividades paralelas que eu sempre mantive (como dar aulas, que eu comecei apenas dois meses depois de me formar em jornalismo). Pois como geralmente fotógrafo futebol e é sempre nos fins de semana e quarta feira anoite, conseguia encaixar as aulas. Então de alguma forma sempre consegui conciliar o mercado fotográfico e estar ligado a academia, ao pensamento. Mas ainda assim não deixava nem a universidade nem o mercado tomar todo o meu tempo. A ideia sempre foi conciliar tudo, aulas, fotografia, e nos últimos onze anos, o desenvolvimento de projetos culturais.

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Copa das Confederações na África do Sul, 2009 / Foto de Eugênio Sávio.

E COMO VOCÊ SE TORNOU UM REALIZADOR CULTURAL?

Assumi a função de produtor cultural em 2004, quando criei o Foto em Pauta. A ideia deste projeto surgiu porque eu trabalhei muitos anos fotografando o Circuito Cultural do Banco do Brasil por todo o país. O carro chefe do projeto era realizar shows mas também estava ligado ao pensamento de outras áreas artísticas, levava alguns escritores, cursos, etc. Então propus que eles fizessem um curso sobre a história da fotografia. Assim, além de fotografar o projeto, eu dava o curso. Fiz isso em dezoito estados brasileiros e nunca faltou público. A fotografia é muito atrativa, é muito fácil de atrair público, por incrível que pareça mais fácil do que outras áreas que tinham no projeto. O meu curso sempre “bombava” [risos].

Por outro lado o evento também teve uma repercussão interessante, eu me conectava com os fotógrafos da cidade, e foi de fato durante esse processo que me inteirei com a produção cultural. O projeto acontecia duas vezes por mês, sempre nos fim de semana, e nunca atrapalhou minhas aulas. Aprendi muito com a equipe do projeto, e foi fundamental pra minha formação como produtor cultural.

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Cristiano Mascaro e Eugênio Sávio no Foto em Pauta em Florianópolis, 2005.

E FOI DEPOIS DESSA EXPERIÊNCIA QUE VOCÊ TEVE A IDEIA DE FAZER O FOTO EM PAUTA EM BELO HORIZONTE?

Exatamente. Depois de dar palestras no Brasil inteiro, em 2004 resolvi oferecer um projeto novo. A ideia era trazer fotógrafos de várias partes do país para uma conversa em Belo Horizonte. Um formato simples de levar um autor pra bater papo com as pessoas, bem semelhante a algumas iniciativas que temos aqui na cidade, como o “Sempre um Papo” que já é realizado há trinta anos, e uma do Instituto Moreira Sales, que era o “Escritor por Ele Mesmo”, algo bem comum na literatura, mas que quase não existia na fotografia, eu pelo menos não me lembro de nenhum.

Mas então eu criei esse formato, também com o objetivo de formação na área. O que eu acho legal é que acabamos trazendo para Belo Horizonte uma possibilidade de interação com profissionais da área e principalmente com a fotografia autoral, que em 2004, era uma coisa bem menos comum. Hoje ainda é, mas já tem gente fazendo mais e até vivendo disso, vendem fotos e participam de eventos específicos. O que na minha geração era não comum. Os poucos que trabalhavam com fotografia autoral, tinham um estúdio de publicidade, ou eram fotojornalistas, ou professores, era sempre uma coisa paralela e que não era fonte de renda. Ainda não tinha essa coisa de colecionar imagens fotográficas, e vender em galerias, isso é uma coisa de uma geração posterior a minha.

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Primeira edição do Foto em Pauta com Claudio Edinger, 2004 / Foto de Leo Drummond (Nitro).

FALE UM POUCO MAIS SOBRE A ESTRUTURA DO PROJETO E COM QUE FREQUÊNCIA É REALIZADO?

A estrutura do projeto é relativamente simples sem grandes custos. Temos o cachê do palestrante, hospedagem e passagens. Aliás, este é um dos meus argumentos para defendê-lo. Pois as vezes o dinheiro gasto pra uma exposição é o dinheiro que eu preciso para realizar os eventos do ano todo. Fazer um livro também não é nada barato. Então acho que é uma ótima opção o artista circular fazendo bate papos como o Foto em Pauta.

A meta sempre foi fazer pelos menos oito eventos por ano, mas temos conseguido fazer mais do que isso. Fazemos alguns extras de alguém que vai lançar um livro, ou projeto específico. Ao longo desses dez anos, trouxemos fotógrafos de vários estados brasileiros, Maranhão, Ceará, Pará, lugares distantes mesmo que pertençam ao mesmo país, mas que não temos muito contato. E com certeza, foi uma ótima oportunidade para os convidados ampliarem seu público.

Há uns quatro anos começamos a fazer transmissões pela internet, logo quando se tornou possível fazer isso, com ferramentas gratuitas e equipamentos simples. Ainda gravamos em uma qualidade que não é ideal, mas dá pra ouvir bem, porque se for pra fazer como programa de TV, o custo se torna inviável.

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Foto em Pauta com Gustavo Lacerda em Belo Horizonte, 2014 / Foto de Gustavo Andrade.

E COMO AVALIA OS RESULTADOS OBTIDOS PELO PROJETO?

Acho que o movimento da fotografia em Minas, desde que começamos com o projeto até hoje, é completamente diferente. Hoje temos uma grande força na fotografia mineira (não que eu queira atribuir a mim esse sucesso, não sou o único), mas acho que o projeto é responsável por uma parcela considerável para isso ter acontecido, fizemos um movimento que unificou muita gente. Vejo que o Foto em Pauta produziu um efeito multiplicador e formador na região.

Mas o que acho mais legal no projeto e até no festival é esse encontro, essa possibilidade de estar diante de uma celebridade da fotografia, ou de uma pessoa que já teve um corpo de trabalho que merece atenção e saber como é a cabeça dela. Na minha carreira tive a sorte de viajar muito e de ter acesso a muitas figuras importantes da fotografia, e eu via que essas pessoas tão celebres eram comuns, normais, e frágeis, como eu e todo mundo, então de alguma forma eu queria proporcionar isso para os outros. Desmistificar essa imagem de poderosos, inacessíveis e trazer os fotógrafos para contar sua história de trabalho e dedicação, na maioria das vezes nada fácil e com isso incentivar as pessoas a produzir.

Além disso, vimos nesse período do Foto em Pauta, a carreira de várias pessoas se desenvolver, pessoas que foram nos eventos e no festival desde o primeiro ano e dali criaram uma energia para produzir outras coisas e voltavam com novos materiais. É muito recompensador estar dentro desse processo de formação de cabeças e de autores. Isso é a maior gratificação.

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Exposição de Gustavo Lacerda no Festival de Tiradentes 2013 / Foto de Gustavo Lacerda.

E COMO SURGIU O FESTIVAL DE FOTOGRAFIA DE TIRADENTES?

Criar o Festival de Tiradentes foi uma coisa natural. Com seis anos do projeto Foto em Pauta, já tínhamos convidado mais de quarenta fotógrafos do Brasil inteiro. Criamos uma conexão com eles, todos já tinham um respeito pelo meu trabalho e estavam dispostos a ajudar nesse novo projeto. Além destes primeiros convidados do Foto em Pauta, eu trouxe contatos que fiz durante o Circuito Banco do Brasil, pois sempre quando retornava as cidades em que tinha feito o projeto retomava o contato pra manter essa rede.

E essa junção de fatores acabou gerando o primeiro Festival de Fotografia de Tiradentes em 2011. No primeiro ano já tivemos uma enorme receptividade da comunidade da região (Tiradentes, São João Del Rey, etc.), que é carente por eventos e encontros de formação. Acredito que tínhamos uma enorme quantidade de pessoas querendo se expressar através da fotografia mas que ainda não tinham espaço para descobrir isso.

Começamos o festival com uma dificuldade enorme, quase sem dinheiro, muito pelas amizades e pelo respeito que tínhamos constituído no percurso e a participação generosa e efetiva de uma grande turma aqui de Belo Horizonte. Então hoje, quando convidamos alguém para o festival, as pessoas já sabem que o evento é organizado, tem qualidade. E isso é fundamental para que tudo funcione e tenha continuidade.

FALANDO SOBRE ESSA DIFICULDADE DE CONSEGUIR RECURSOS, VOCÊ VÊ OUTRAS POSSIBILIDADES DE FINANCIAMENTO PARA PROJETOS CULTURAIS HOJE?

Acho que estão aparecendo outras formas para projetos talvez mais alternativos, que não se enquadrem em alguns formatos. Por outro lado tem projetos que são mais comerciais que podem ser viabilizados com empresas. Mas falando até como presidente da Rede de Produtores acho que é fundamental, que nós, como associação, consigamos melhorar e aumentar a participação do Estado no apoio aos eventos. Pois hoje em dia temos outros segmentos da cultura que são muito mais acolhidos, como cinema, literatura, até mesmo dança, que tem editais e verbas específicas, ou estatais que tem adotado essas iniciativas, e nós estamos precisando muito disso.

Acho que essa é uma das nossas metas, e que devemos chegar em breve nesse momento, pela quantidade de eventos, e a própria explosão e potencial da fotografia, que cada vez está sendo mais reconhecida em função dessa vida imagética, que estamos vivendo hoje, a popularização das câmeras, e de como a fotografia virou uma forma de se comunicar. Então penso que isso tudo uma hora vai ter que chegar no Estado, no governo, e nós realmente precisamos ter mais festivais, expandir e circular a fotografia.

AINDA SOBRE FESTIVAIS, COMO VOCÊ AVALIA O CIRCUITO DE EVENTOS DE FOTOGRAFIA BRASILEIRO?

Acredito que já temos um circuito de festivais. Acho que o problema é que ainda estamos iniciando. Poucos podem se dedicar exclusivamente a isso, e acabam precisando de outras atividades. Talvez quando as verbas aumentarem, vamos poder formar esse produtor cultural dedicado. Dar condição pra ele produzir coisas maiores e melhores. Estamos vivendo uma fase de transição nessa parte de produção, mais ou menos o que aconteceu com o fotógrafo autoral quinze anos atrás, que precisava fazer foto comercial pra vender. Então, em alguns casos, o Estado pode auxiliar diretamente, e também existem fundações, universidades, instituições que podem criar seus próprios produtores culturais.

De alguma forma, os festivais de fotografia no Brasil são muito recentes. O Paraty em Foco, o maior, tem apenas dez anos. Principalmente se você comparar a outras áreas, o Festival de Cinema de Tiradentes por exemplo tem dezoito anos, quase o dobro. O Festival de Cinema de Gramado existe desde 1973. E um dos principais eventos de fotografia do mundo, o de Arles na França, existe desde 1969.

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Eder Chiodetto Jochen Volz no Festival de Tiradentes 2012 / Foto de Rodrigo Lima (Nitro).

VOCÊ CONCORDA QUE O FESTIVAL DE FOTOGRAFIA DE TIRADENTES CRESCEU E SE CONSOLIDOU RÁPIDO NO CENÁRIO DA FOTOGRAFIA NACIONAL?

Eu não sei se cresceu rápido, mas ele já nasceu relativamente grande. Fomos muito felizes nas parcerias que fizemos, principalmente com o Alexandre Belém e Geórgia Quintas do Olhavê. Então, desde o primeiro ano, já priorizamos o conteúdo de palestras, discussões, e como eu já tinha o know-how de trazer as pessoas foi mais fácil. Alguns fotógrafos renomados aceitaram participar da primeira edição sem receber nada, e esses caras deram um peso pro festival no início. Além disso, a imprensa também sempre deu uma boa atenção para nossos projetos e soubemos trabalhar bem nas redes sociais.

A RESPEITO DO FORMATO DOS FESTIVAIS, ACREDITA QUE É PRECISO INOVAR, SAIR UM POUCO DO ESQUEMA TRADICIONAL?

Acredito que existem muitas possibilidades de se trabalhar com novos formatos. Mas o formato básico é esse: tem que ser aberto, ter exposições, palestras, workshops, etc. A maioria dos festivais seguem este modelo, Tiradentes, Paraty em Foco, Arles, são poucas diferenças de um para o outro.

A estrutura das cidades também influenciam muito os festivais. O FIF em Belo Horizonte, por exemplo, teve diversas exposições de qualidade espalhadas pela cidade, e foi incrível. Porém, é diferente dos festivais em cidades menores, onde as pessoas se encontram, nas ruas, estão sempre se encontrando. É quase como uma convenção em um hotel, só que um pouco maior.

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Exposição de Marcio Vasconcelos no Festival de Tiradentes 2013 / Foto de Marcus Desimoni (Nitro).

E SOBRE OS TEMAS QUE SÃO ABORDADOS, DIRIA QUE TIRADENTES É UM FESTIVAL DEDICADO EXCLUSIVAMENTE A FOTOGRAFIA AUTORAL?

Em Tiradentes, o público é bem variado. Então de alguma forma tentamos acolher os diversos temas, pois no meu modo de ver o evento tem que ser plural. Obviamente temos alguns segmentos da fotografia que já são mais contemplados em outros eventos, como a fotografia social, então eu não vejo tanto sentido em tratar desses temas no festival.

Outro ponto que pra mim precisa ser discutido é a área da fotografia não comercial, ou mesmo a da fotografia documental ou fotojornalismo, mas sob o ponto de vista de algum fotógrafo que faça algo além do que ele produz como trabalho especifico para um jornal ou projeto no tema. Assim o que mais nos interessa, o público que queremos atingir é aquele que tem prazer por fotografar, que não fotografa só por trabalho, que vai além, que investiga, que quer conhecer mais, e se expressar.

E no festival esse público que gosta de fotografia se junta com aquele que gosta de viajar, comer, de encontrar pessoas, então no fim ainda vira uma opção de lazer. Visitar uma cidade histórica na época de festival é muito mais legal, porque você vai ver um movimento a mais ali e ter acesso a programas culturais que no caso da fotografia são sempre muito bem recebidos.

O QUE VOCÊ VÊ COMO MAIOR CONQUISTA DO FESTIVAL APÓS ESSAS QUATRO EDIÇÕES?

Festivais de Fotografia mudam o rumo da vida das pessoas, e não estou exagerando ao dizer isso. Temos diversos exemplos de pessoas que começaram projetos, mudaram suas carreiras, e se inspiraram muito depois do festival.

Esse ano por exemplo, um fotógrafo de vinte anos de carreira, me disse que estava desistindo de ser fotógrafo e mudou de ideia depois do participar do festival. Disse que o evento deu um novo gás e mostrou novos caminhos pra ele. E assim como ele acontece com várias pessoas que estavam desanimadas com o mercado, e agente mostra que tem outro jeito de pensar, de criar, etc.

E QUAL O FUTURO DO EVENTO? QUE DESENVOLVIMENTOS DEVEMOS ESPERAR NAS PRÓXIMAS EDIÇÕES?

O Festival de Tiradentes está se consolidando. Mas ao mesmo tempo, precisamos melhorar em vários aspectos: precisa ser mais rentável, remunerar melhor os convidados e quem produz, é muito colaborativo ainda.

Aos poucos estamos encontrando fórmulas, amadurecendo e aprendendo. Temos outras pessoas querendo ajudar, dando ideias, empresas vendo oportunidades, etc. Então acho que ele tende ainda a ficar melhor, mas não é a intenção que seja tão grande ou cresça muito.

O que eu acho que pode acontecer mais é aumentar a repercussão do festival como esse ano, em que tivemos algumas exposições do evento circulando. Foi bem interessante produzir uma exposição que pode circular em vários lugares, e ai se encaixa o papel da Rede, pois seria legal poder levar exposições de um festival para o outro, como tivemos duas exposições do Festival de Tiradentes que trouxemos pra Belo Horizonte. Além disso, é muito bom pra quem patrocinou, deu mais visibilidade ao produto, e pra quem produziu também, o investimento ficou mais diluído.
De alguma forma nos anima, esse e outros tantos resultados do festival. Mas temos que caminhar, estabelecer mais parcerias, mais apoios e aos poucos crescer.

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Exposição coletiva no Festival de Tiradentes 2014 / Foto de Eugênio Sávio.

QUAIS OS PRINCIPAIS DESAFIOS E OPORTUNIDADES PARA O FUTURO DA ÁREA ?

Existe uma demanda inquestionável. Não falta público. Nunca tive problema de público em dez anos de Foto em Pauta. Nem temos mídia paga, só mídia espontânea, mídias sociais, etc. Temos demanda pra todo tipo de projeto, fotolivros, workshops, palestras, etc. e os festivais de alguma forma abraçam tudo isso.

Mas apesar da demanda, temos que entender que é um processo, é preciso paciência pois não é fácil criar um corpo de pessoas capacitadas pra dar conta dessa demanda. Principalmente porque o modelo que temos hoje não é mais só do Estado produzindo, mas cada vez mais produtores independentes, como o Estúdio Madalena, como a minha empresa e outras tantas. Vejo muita gente produzindo em vários lugares do Brasil, mas há necessidade de mais recursos pra isso acontecer.

Acho que tudo está crescendo. Falamos muito de festivais, mas acredito também eventos menores como o Foto em Pauta, podem acontecer em outros estados. Além de fazer com que os autores, fotolivros e as exposições circulem mais.

E COMO PRESIDENTE DA REDE DE PRODUTORES CULTURAIS FOTOGRÁFICOS, QUAIS OS MAIORES DESAFIOS QUE ESPERA ENFRENTAR?

Nós da Rede de Produtores Culturais Fotográficos precisamos nos unir mais e promover mais encontros. Temos que lidar com esse tipo de dificuldade, já que o Brasil é um país continental e não é fácil nem barato circular.

Queremos no próximo Festival de Tiradentes, realizar workshops exclusivos para explicar para os associados sobre financiamento via leis de incentivo, pois muitas pessoas ainda não usam ou não sabem usar. Muitos querem fazer parte e produzir, mas não tem muito conhecimento e experiência. Então vamos fazer algo mais didático.

Mas de maneira geral, estamos todos em formação. Somos uma rede de pessoas que estão se formando como produtores culturais, e viabilizando seus projetos, pois estão notando um ambiente propício para crescer. Alguns andam mais rápidos que outros, por isso a importância da Rede, porque juntos somos mais fortes, damos energia uns aos outros, temos força política para poder negociar com o poder público, entender melhor quem somos e como atuar melhor nesse mundo da fotografia.

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Exposição “Em Desencanto – Fotografia Mineira Contemporânea” no Museu Mineiro em Belo Horizonte. Produção do Foto em Pauta/Festival de Fotografia de Tiradentes / Foto de Eugênio Sávio.

PARA FINALIZAR, JÁ QUE ALÉM DE FOTOGRAFO E PRODUTOR CULTURAL VOCÊ TAMBÉM É PROFESSOR, QUAL SUA ANALISE SOBRE O CONTEXTO DA EDUCAÇÃO VISUAL NO PAÍS?

Festival devia ser igual feira de ciências, que todo colégio tem. Todos os colégios podiam fazer uma semana da fotografia, trazer fotógrafos da própria cidade.

Também vejo que os festivais são uma maneira de chamar atenção para o tema. Hoje por exemplo, já existe um movimento, foi criado um foto-clube em Tiradentes, e tem gente boa fotografando na região, ou seja, as sementes estão plantadas e o festival só realizou quatro edições. Por outro lado, uma pessoa que provavelmente só teve um contato maior com a fotografia no festival, hoje já da aula por lá, e isso é muito legal.

Por isso acredito que é preciso produzir mais iniciativas, e criar ideias e assim conseguir irradiar a fotografia para toda a sociedade.

Esta entrada foi publicada em janeiro 12, 2015 às 12:49 pm e está arquivada sob Uncategorized. Guarde o link permanente. Seguir quaisquer comentários aqui com o feed RSS para este post.

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