Cultura, Arte e Tecnologia

Auschwitz, mObtrip Leste Europeu com Bianca Vasconcellos

Antes de passar pelo portão onde se lê “O trabalho liberta”, lembrei que minha avó dizia que era bom a gente pedir licença antes de entrar no mar. Seria uma maneira de respeitar o vasto mundo das águas desconhecidas. A conexão entre o oceano misterioso e o já conhecido campo de horrores só ficaria clara no final da visita.

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No caminho, Jacob, nosso guia, coloca um “filminho”, uma pequena amostra do que foi a demonstração de crueldade. Depois disso foi meio esquisito dar de cara com um dia ensolarado de céu azul.

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Costumo pedir dicas e fazer consultas em sites de viajantes, muitos disseram que a gente precisa estar bem para fazer um “passeio”desse. E logo descobri que mais de um milhão de turistas por ano, procuram a trilha de horror dos nazistas.

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Não sei se acho exagero que os asiáticos não tirem suas máscaras de proteção, mas penso que não me sentiria bem em andar com uma dessas num lugar onde milhões morreram por inanição, trabalhos forçados ou nas câmaras de gás.

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No começo os prisioneiros dormiam sobre lonas espalhadas nos alojamentos sem aquecimento.

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Não podemos circular em todos os lugares e nem todas as portas estão abertas aos visitantes. Nos restam as frestas, com espaço suficiente para uma câmera de celular.

Os objetos pessoais – milhões deles – estão protegidos por paredes de vidros. Ok, vamos assumir os reflexos das janelas e as cores do céu nesta primavera polonesa. Aqui estão latinhas de graxa para os sapatos + reflexos + janelas + objetos pessoais dos prisioneiros judeus.

Mais reflexos dos objetos protegidos pelo vidro: sigo assumindo os reflexos das janelas e gosto de pensar que elas estão jogando luz nos objetos dos prisioneiros executados e nos lugares por onde passaram.

O bloco 11 era o mais temido pelos prisioneiros e o que desperta mais curiosidade para os turistas: os nazistas costumavam interrogar aqueles que estariam promovendo fugas, se rebelando contra o sistema de trabalhos forçados, se comunicando com o exterior do campo de concentração. Daqui nenhum prisioneiro sairia vivo.

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Chamou minha atenção o olhar dos prisioneiros diante da lente do fotógrafo: os homens olham com uma certa altivez, um leve enfrentamento para lente apontada para o rosto. O oposto do que vi nos retratos das mulheres.

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Ruinas em Birkenau – ao lado de Auschwitz – da maior câmera de gás dos campos poloneses.Entre o oceano desconhecido que minha avó dizia que tinhamos que pedir licença e esta trilha de horror, a conexão é o mistério que persiste sobre como a humanidade pode ser cruel.

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“Starvation,” escultura de Meczyslaw Stobierski em Auschwitz.

Para que você tenha uma idéia da dimensão do campo de concentração, separamos estas imagens feitas por drone, de um documentário da BBC. Confira:

Flores na prisão que era das mulheres, velhos doentes, pessoas consideradas “inúteis” para o trabalho nos campos de concentração. Também daqui, ninguém voltaria vivo ao deixar a cela.

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Próxima etapa, Chernobyl. Fique ligado.

Esta entrada foi publicada em abril 24, 2016 às 12:22 pm e está arquivada sob Uncategorized. Guarde o link permanente. Seguir quaisquer comentários aqui com o feed RSS para este post.

4 opiniões sobre “Auschwitz, mObtrip Leste Europeu com Bianca Vasconcellos

  1. Que linda sua matéria Bianca, sua escrita é precisa, as fotos são contundentes, a gente se sente um pouco lá tb… bjs

  2. Mingo Manocchi em disse:

    Rever sempre esquecer jamais.

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