Cultura, Arte e Tecnologia

Chernobyl, Prypiat, parte 1

Bianca Vasconcellos começa a jornada para Chernobyl, na #mobtriplesteeuropeu. Acompanhe com ela. Para saber todos os detalhes do que aconteceu, no final do post, um resumo da tragédia.

Partimos da Praça da Independência em Kiev – local de muitas manifestações onde ucranianos queriam ser apenas ucranianos e não russos.

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Uma hora e meia de estrada e começaram os check points: policiais verificando passaportes, quem somos nós, objetivo da visita, e nossa guia Daria lembrando-nos em todos as paradas que uma foto da segurança dos policias pode acabar com a visita.

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Estamos afinal, entrando na chamada “Zonas de Exclusão de Chernobyl”. Uma região ainda hoje, mesmo depois do fim da União Soviética e Revolução Democrática na Ucrânia, sensível com barreiras, normas, burocracias, cuidados e muitos mistérios.

 

No caminho, de dentro da van, as primeiras habitações abandonadas pelos moradores há 30 anos.

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A primeira parada foi um encontro com Ivan, 81. Um dos 150 antigos moradores da região rural  que desafiam as proibições e continuam morando próximo ao complexo de Chernobyl.

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Ivan tinha acabado de chegar do hospital, de uma visita à mulher. Muito simpático, ele não se incomoda em posar para as lentes dos turistas em troca de algumas grivnias – a moeda ucraniana – para ajudar na sobrevivência primitiva e solitária.

 

“O pior de morar aqui é não ter com quem com conversar“, diz Ivan. Hoje ele teve, além dos turistas, o filho Mischka. Pedi para se sentarem juntos. Pedi para se abraçarem. Pedi para se beijarem mas Miscka, sorridente, achou um pouco demais.
Ivan seria o único sobrevivente da visita. Depois dele, Prypiat, a cidade de 50 mil habitantes evacuada em 3 horas e meia.
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Os habitantes de Prypiat achavam que voltariam em três dias após o fatídico 25 de abril. Nunca voltaram, milhares morreram com altos níveis de radiação no corpo.

 

O Café mais lindo de Prypiat, era uma das arquiteturas de linha reta, sóbrias e modernas.

 

 

O parque de diversões seria inaugurado no dia Primeiro de Maio, quatro dias depois do desastre nuclear. Nunca chegou a funcionar.

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A piscina tinha duas plataformas para salto ornamental, com profundidade de até cinco metros.

 

Vencendo as distâncias na cidade e esticando o máximo – e muitas vezes passando do tempo dado por Daria, nossa guia, vou me lembrando dos depoimentos de “Voices of Chernobyl” de Svetlana Alexievich, Nobel de Literatura. Cada vez que era possível ficar só nos lugares abandonados, eu podia me lembrar dos depoimentos dos sobreviventes com suas histórias de amor e morte, desespero e esperança. Aqui era o berçário.

 

Na escola, milhares de máscaras de proteção entulhadas.

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Nas imagens feitas pelo drone de Ashley Shepherd, mais perspectivas da cidade fantasma de Prypiat e a sensação incômoda de abandono e mistério que causam arrepios até nos mais insensíveis. Pensar no que foi o maior desastre nuclear da história humana e que ainda se passarão centenas de anos até que se dissipem seus efeitos nefastos é difícil.

 

 

Afinal, o que aconteceu exatamente?

No ano de 1986, os operadores da usina nuclear de Chernobyl, na Ucrânia, realizaram um experimento com o reator 4. A intenção inicial era observar o comportamento do reator nuclear quando utilizado com baixos níveis de energia. Contudo, para que o teste fosse possível, os responsáveis pela unidade teriam que quebrar o cumprimento de uma série de regras de segurança indispensáveis. Foi nesse momento que uma enorme tragédia nuclear se desenhou no Leste Europeu.

Entre outros erros, os funcionários envolvidos no episódio interromperam a circulação do sistema hidráulico que controlava as temperaturas do reator. Com isso, mesmo operando com uma capacidade inferior, o reator entrou em um processo de superaquecimento incapaz de ser revertido. Em poucos instantes a formação de uma imensa bola de fogo anunciava a explosão do reator rico em Urânio-235, elemento químico de grande poder radioativo.

Com o ocorrido, a usina de Chernobyl liberou uma quantidade letal de material radioativo que contaminou uma quilométrica região atmosférica. Em termos comparativos, o material radioativo disseminado naquela ocasião era assustadoramente quatrocentas vezes maior que o das bombas utilizadas no bombardeio às cidades de Hiroshima e Nagasaki, no fim da Segunda Guerra Mundial. Por fim, uma nuvem de material radioativo tomava conta da cidade ucraniana de Pripyat.

Ao terem ciência do acontecido, autoridades soviéticas organizaram uma mega operação de limpeza composta por 600 mil trabalhadores. Nesse mesmo tempo, helicópteros eram enviados para o foco central das explosões com cargas de areia e chumbo que deveriam conter o furor das chamas. Além disso, foi necessário que aproximadamente 45.000 pessoas fossem prontamente retiradas do território diretamente afetado.

Para alguns especialistas, as dimensões catastróficas do acidente nuclear de Chernobyl poderiam ser menores caso esse modelo de usina contasse com cúpulas de aço e cimento que protegessem o lugar. Não por acaso, logo após as primeiras ações de reparo, foi construído um “sarcófago” que isolou as ruínas do reator 4. Enquanto isso, uma assustadora quantidade de óbitos e anomalias indicava os efeitos da tragédia nuclear.

Buscando sanar definitivamente o problema da contaminação, uma equipe de projetistas hoje trabalha na construção do Novo Confinamento de Segurança. O projeto consiste no desenvolvimento de uma gigantesca estrutura móvel que isolará definitivamente a usina nuclear de Chernobyl. Dessa forma, a área do solo contaminado será parcialmente isolada e a estrutura do sarcófago descartada.

Apesar de todos esses esforços, estudos científicos revelam que a população atingida pelos altos níveis de radiação sofre uma série de enfermidades. Além disso, os descendentes dos atingidos apresentam uma grande incidência de problemas congênitos e anomalias genéticas. Por meio dessas informações, vários ambientalistas se colocam radicalmente contra a construção de outras usinas nucleares.

Por Rainer Sousa
Equipe Brasil Escola

Usina de Chernobyl vista de Prypiat (Foto: Wikimedia Commons)

O alto nível de radiação afetou as regiões no entorno da usina, chegando a uma área de 100 mil km2. A cidade que abrigava os trabalhadores de Chernobyl era Prypiat, construída para essa função em 1970. A orientação para deixar as casas só veio 30 horas depois do acidente, os habitantes tiveram 40 minutos para pegar os itens de maior necessidade e sair da cidade. Eles foram avisados que poderiam voltar em três dias. A área, porém, passou a fazer parte da zona de exclusão estabelecida no entorno da usina e Prypiat virou uma cidade fantasma.

Os soviéticos tentaram esconder o acidente, mas os níveis de radiação foram detectados em outros países. A primeira notícia sobre a explosão saiu no dia 29, na Alemanha, três dias depois do ocorrido. A usina chegou a continuar em funcionamento, com turnos menores, e passou por dois princípios de incêndio, em 1991 e 1996.

O governo soviético admitiu 15 mil mortes, enquanto organizações não governamentais calculam 80 mil. Segundo números oficiais, 2,4 milhões de ucranianos sofrem de problemas de saúde relacionados ao acidente. Ainda hoje, 30 anos depois, 6% do PIB ucraniano é destinado aos efeitos da tragédia, como pagamento de indenização às vítimas. Um museu foi construído na capital Kiev para lembrar Chernobyl e as pessoas afetadas pela radiação.

Globo Educação/redação

 

 

 

Esta entrada foi publicada em abril 28, 2016 às 12:42 pm e está arquivada sob Uncategorized. Guarde o link permanente. Seguir quaisquer comentários aqui com o feed RSS para este post.

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