Cultura, Arte e Tecnologia

Lucas Lenci, pioneiro da mobgrafia brasileira

Na nossa história dessa semana, apresentamos um outro lado do fotógrafo Lucas Lenci, que com um iPhone Classic, em 2009, fez uma corajosa (especialmente para os padrões da época) exposição dedicada a mobgrafias.

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Com sua exposição Aifonepics em 2009, Lucas marca um momento importante, daquele que viria a ser o movimento de artes visuais que mais cresce no mundo. Para se ter uma idéia, o iPhone 3gs e o Instagram, que forjaram esse movimento, surgiram em 2010.

Veja como foi em matéria da época, pinçada do blogdoiphone:

aifonepics: polaroids da minha geração

A mostra contava com uma seleção de fotos do artista, que durante meses fez experimentos com o telefone.

“Como fotógrafo eu sinto a necessidade de registar momentos, formas e cores que de alguma maneira me inspiram e, ao invés de ter sempre um caderno comigo para tomar nota destas inspirações, optei em usar meu telefone como um diário digital”.

O “diário digital”passou rápidamente para paredes de galerias. Foram selecionadas para a mostra 52 fotografias que simbolizam o que seriam 52 semanas do ano.

É interessante como Lucas compara a fotografia de celulares como “a nova polaroid”, populares nos anos 70 e 80 e cujas experiências eram instantâneas.

Todas as fotos foram impressas em papel Ilford galerie smooth glossy e não sofreram nenhuma manipulação externa em computador. Tudo foi tratado diretamente no iPhone, com aplicativos específicos, mostrando a enorme potencialidade do iPhone OS.

Veja no video como foi a exposição

 

 

A apresentação da exposição foi de Cristiano Mascaro:

AIFONEPICS – LUCAS LENCI

A era dos pesados tripés, das câmeras enormes movidas a filmes e daquela quantidade enorme de acessórios, parece que está chegando ao fim. E quem nos anuncia estes novos tempos é Lucas Lenci. Munido de um telefone celular e nada mais, Lucas torna realidade o velho sonho de todo fotógrafo: lançar mão de sua câmera num gesto rápido como se ela fosse um simples e prático bloquinho de notas. Ou pedacinhos de papel onde anotamos tudo aquilo que vimos e que não queremos ou podemos esquecer.
Lucas, entretanto, não se ilude simplesmente com as maravilhas tecnológicas que dia após dia chegam às mãos e aos olhos dos fotógrafos. Sabe muito bem que assimilá-las é algo natural e inevitável para os jovens de sua geração. Mas sabe também que isto não basta. Lucas tem consciência de que, para que as imagens registradas em seu bloco de notas eletrônico tenham algum valor e interesse, é necessário, sobretudo, saber ver e ter algo a dizer, condições essenciais na boa fotografia que, aos poucos, têm sido esquecidas em meio ao deslumbre diante do avanço rápido da tecnologia digital.
Para nos certificarmos do olhar certeiro de Lucas, basta observarmos suas fotografias que, em clara referência às imagens Polaróide no formato e na cor, compõem este ?diário digital?. Sem a preocupação e postura clássicas do fotógrafo analógico pois não se troca mais filme, não se usa mais tripé, a empunhadura da ?câmera? já é outra e entre outras coisas não há mais uma ocular por onde se lança o olhar, o nosso fotógrafo digital produziu mais de 1.000 imagens e, com rigor, selecionou 52 que considerou as mais expressivas. Vemos ali os jogos de luz desenhados pelos faróis dos automóveis que percorrem a cidade, a cena surpreendente composta por três ciclistas em plena avenida, o perfil de uma pessoa junto à janela de um avião e o desenho da arquitetura de um conjunto de escadas de um edifício modernista. Cenas que muitas vezes temos diante de nossos olhos indiferentes, mas que se tornam expressivas e luminosas quando filtradas pelo olhar de Lucas Lenci. São ?anotações visuais, de olho nas coisas do dia a dia que me inspiravam? como ele mesmo diz.
No entanto, além da qualidade das imagens desta exposição, há aí uma outra possibilidade que Lucas nos anuncia. Com o avanço extraordinário da tecnologia digital, aproxima-se o dia em que as câmeras ou dispositivos fotográficos serão praticamente imperceptíveis. Poderemos registrar as imagens do mundo ao nosso redor num simples ?piscar de olhos? que, incrivelmente, deixará de ser apenas uma força de expressão. O que diria Joseph Nicéphore Nièpce autor da primeira fotografia há quase 200 anos a respeito de tamanha revolução?

Cristiano Mascaro / São Paulo, novembro de 2009

 

Esta entrada foi publicada em maio 8, 2016 às 11:48 am e está arquivada sob Uncategorized. Guarde o link permanente. Seguir quaisquer comentários aqui com o feed RSS para este post.

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