Cultura, Arte e Tecnologia

Novo trabalho de HD Dimantas, “Fundidos”

Admiramos o trabalho incansável de pesquisa do Hernani Dimantas há muitos anos.

HD se define artista, escritor, blogueiro, pesquisador e ativista digital.

Em 2002 criou o Projeto Metáfora, coletivo que juntou artistas, blogueiros e fazedores que deu origem a outros projetos, principalmente o a MetaReciclagem.

Seu trabalho apresentado aqui, nos apresenta uma série de intervenções em imagens reais e cotidianas através do Google Street View.

HD explica:

A fotografia analógica era basicamente técnica. As lentes, o filme, o controle de luz e velocidade resultaram nos tons e nas sombras e, principalmente, na organização dos trabalhos de pré-produção. Este dado caracterizou a diferença entre amadores e profissionais. Nos tempos da tecnologia digital, este processo foi canalizado para a pós-produção. O Photoshop veio pra ficar. E, de certa forma, amplia e facilta o olhar do fotógrafo.

Esta desconstrução da técnica é um detalhe que aumenta vertiginosamente a quantidade de fotógrafos e artistas, cada vez mais circunscritos ao amadorismo, que não significa obrigatoriamente os não profissionais e sim, aqueles que escolheram e amam o que fazem. ‘Somos todos aqueles que ousadamente armazenam e guiam ideias para onde só a imaginação alcança.’

As imagens do Google Street View podem ser navegadas usando tanto o mouse quanto o teclado. Com esses dispositivos podemos ter acesso a vistas em diferentes tamanhos, a partir de qualquer direção e de diversos ângulos.

A proposta de produção e distribuição em rede demanda o processo de ocupação. Ou seja, a reutilização e remix da interface como suporte. Pesquisar o ambiente do Google aponta para a ressignificação do espaço virtualmente modelado. As imagens do streetview revelam países, cidades, ruas, lugares diminuem distâncias e nos convidam a viajar pelo espaço – tempo de nossas memórias afetivas.

Revisitar lugares, interferir neles, imprimir nossa marca sobre eles é um exercício libertador e poético.

 

Confira o trabalho dele aqui e aqui.

Fundidos Venceremos

As imagens desnudam países, cidades, ruas, lugares diminuem distâncias e nos convidam a viajar pelo espaço – tempo de nossas memórias afetivas. Revisitar lugares, interferir neles, construir nossa marca sobre eles é um exercício libertador e poético. 
Fundidos é uma pesquisa fotográfica. Um passeio pela virtualidade num ambiente moldado em 3D onde qualquer mudança no foco faz que todo o ambiente virtual se altere. De certa forma emula as variações dos nossos olhos. Aquilo que vemos depende apenas do nosso ponto de vista. O street view é uma lente que tudo abarca e nada vê.
Busco pelos defeitos. Aquilo que não foi capturado pelas câmeras que operam no atacado. Capturam tudo que seja possível sem critério. E deixam rastros que podem ser observados como um glitch natural. 
Encontramos pedaços de gente, pés que andam sem corpos, cabeças voando ou corpos sem orgãos, numa metáfora deleuziana na qual “os órgãos estão separando o corpo do que ele pode, porque estão capturados, a potência se perde no organismo investido pelo social”. E o social agora se faz no espaço virual. 
Pois, a fotografia robotizada perde sua função de retrato. As manipulações digitais potencializam a desconfiguração da realidade. Antes, durante e depois do ato fotográfico. As manipulações trazem problema para a fotografia cujo valor é a fidelidade, mas escancara os caminhos da fotografia artística. Se a fotografia analógica nos permitiu guardar registros do passado, a fotografia digital parece mais propensa em promover simulações do futuro. A contemporaneidade se caracteriza cada vez mais pela edição ou a forma como as partes do sistema são montadas ou articuladas. Esta é a cultura do remix.
HD
Esta entrada foi publicada em julho 27, 2016 às 12:42 pm e está arquivada sob Uncategorized. Guarde o link permanente. Seguir quaisquer comentários aqui com o feed RSS para este post.
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