Cultura, Arte e Tecnologia

História das Paralimpíadas e suas modalidades #superação2016

Nosso time de fotógrafos e paratletas já está em ação no Rio de Janeiro.
À partir de hoje, toda noite, postaremos algumas imagens e informações. O projeto #superação2016 é um registro documental que vem sendo produzido há um ano.
Não faremos cobertura em tempo real. Mostraremos algumas imagens diariamente, o material gerado será editado para que se transforme numa exposição itinerante, um livro e uma série de mini documentários para web, ações para as quais, ainda buscamos apoio.
Hoje, a história dos Jogos Paralímpicos e suas modalidades:

Para portadores de deficiências físicas, o esporte adaptado só teve início oficialmente após a Segunda Guerra Mundial, quando muitos soldados voltavam para casa mutilados. As primeiras modalidades competitivas surgiram nos Estados Unidos e na Inglaterra. Nos Estados Unidos surgiram as 1071018016primeiras competições de Basquete em Cadeiras de Rodas, Atletismo eNatação, por iniciativa da PVA (ParalyzedVeteransof América). Na Inglaterra, o neurologista e neurocirurgião alemão Ludwig Guttmann, que cuidava de pacientes vítimas de lesão medular ou de amputações de membros inferiores, teve a iniciativa de fazer com que eles praticassem esportes dentro do hospital.

Em 1948,o neurocirurgião aproveitou os XVI Jogos Olímpicos de Verão para criar os Jogos Desportivos de StokeMandeville. Apenas 14 homens e duas mulheres participaram. Já em 52, os Jogos de Mandeville ganharam projeção, contando com a participação de 130 atletas portadores de deficiência. Tornou-se uma competição anual.

Em 1958, quando a Itália se preparava para sediar as XVII Olimpíadas de Verão, AntonioMaglia, diretor do Centro de Lesionados Medulares de Ostia, propôs q0,,16195484_401,00ue os Jogos de Mandeville do ano de 1960 se realizassem em Roma, após as Olimpíadas. Aconteceram então os primeiros Jogos Paraolímpicos, as Paraolimpíadas. A competição teve o apoio do Comitê Olímpico Italiano, e contou com a participação de 240 atletas de 23 países.

Com o sucesso dos jogos o esporte se fortaleceu e fundou-se a Federação Mundial de Veteranos, a fim de discutir regras e normas técnicas. Ao longo dos anos, a competição foi crescendo muito. Por problemas de organização, as Paraolimpíadas de 1968 e 1972 ocorreram em cidades diferentes da sede das Olimpíadas, constituindo excessões na história dos Jogos Paraolímpicos. Em 1988, em Seul, os jogos voltaram a ser disputados na mesma cidade que abriga as Olimpíadas. O primeiro ano de participação brasileira foi 72.

As Paraolimpíadas são disputadas a cada quatro anos, nos mesmos locais onde são realizadas as Olimpíadas, usando a mesma estrutura montada para os atletas olímpicos. São 19 modalidades em disputa por atletas portadores de deficiências, divididos em categorias funcionais de acordo com a limitação de cada um, para que haja equilíbrio.

Paralimpíadas: a superação do limite

 

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Contudo, a maior glória das olimpíadas dos deficientes não está somente na conquista de medalhas e na própria competição, está sobretudo no exemplo que esses atletas passam para centenas de milhares que vivem estigmatizados por suas deficiências físicas e mentais e sem perspectivas em suas casas. Mesmo quem não aspira ser atleta, pelo menos pode encontrar inspiração e coragem em acompanhar as notícias, onde termina se identificando com aqueles que superaram as inúmeras dificuldades com muita luta, coragem, persistência e dedicação por algum esporte. Saber que há pessoas que apesar das dificuldades de toda ordem foram à luta e venceram no esporte, pode irradiar otimismo, levantar a auto-estima e reorientar as perspectivas em muita gente.

A famosa frase do Barão de Coubertin, hoje desgastada nas olimpíadas, parece ganhar mais sentido como slogan dos atletas paraolímpicos, pois eles sabem e sentem que realmente “o importante não é ganhar uma medalha, mas simplesmente competir”. O atleta paraolímpico antes de competir nacional e internacionalmente teve que competir com ele mesmo; sem dúvida, superar esse primeiro obstáculo subjetivo não tem medalha que possa premiá-lo.

Se cada um dos atletas das olimpíadas tem sua história específica de sofrimentos e superação dos seus próprios limites, cada atleta paraolímpico carrega uma história de fazer filme para cinema. Existem aqueles que nasceram com deficiência e aqueles que adquiriram uma deficiência ao longo da vida. Há atletas com lesão medular, poliomielite, amputação de pernas e de braços, deficiência visual e mental.

Os atletas com deficiência física são classificados em cada modalidade esportiva através do sistema de classificação funcional. Este sistema visa classificar os atletas com diferentes deficiências físicas em um mesmo perfil funcional para a competição. Tem como meta garantir que a conquista de uma medalha por um atleta seja fruto de seu treinamento, experiência, motivação e não devido a vantagens obtidas pelo tipo ou nível de sua deficiência. Na natação, são 10 classes para o nado de costas, livre e golfinho, 10 classes para o medley e 9 classes para o peito. Os atletas com deficiência visual, já passam por uma classificação médica, baseada em sua capacidade visual. Entre os atletas com deficiência visual, há somente 3 classes. Apesar destas classificações serem aceitas pelo Comitê Paralímpico Internacional – IPC, existe muita polêmica em relação a estes sistemas e muitos atletas são protestados durante as competições.

Somente o bocha, o goalball, o rugby e o halterofilismo são modalidades que foram criadas especificamente para a participação dos deficientes. De maneira geral as adaptações das modalidades convencionais para a participação dos atletas com deficiência são mínimas. Como é o caso das corridas com deficientes visuais, nas classes T11 e T12 onde são permitidos guias.

A divulgação dos Jogos Paralímpicos fez com que ficássemos admirados, ou mesmo perplexos com a performance de atletas em cadeira de rodas, no atletismo, no basquetebol, de atletas cegos seguindo uma bola com guizo no futebol e de atletas sem braços e pernas competindo na natação. Estas imagens, agora, devem ficar registradas para repensarmos sobre nossas opiniões, conceitos e ações em relação a estas pessoas que estão com certeza muito próximas de nós, mas que só adquirem visibilidade social nesse tipo de competição. De acordo com os dados do CENSO 2000, o Brasil tem cerca de 14,5% pessoas com deficiência, portanto, são demandantes de projetos de inclusão social.

Todos reconhecem que à dimensão psíquica, física e social do esporte paralímpico é muito significativa para os atletas, mas também contribui para a construção de um mundo verdadeiramente pluralista, que sabe respeitar e conviver com as diferenças sejam elas quais forem.

As pessoas com deficiências física e mental não precisam de nossa pena, ou de nossa compaixão, mas sim de estímulo, demonstração de apoio e de luta conjunta pela democratização das oportunidades de acesso para além do âmbito dos jogos, para que tenham uma existência cotidiana digna e feliz.

 

Modalidades

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Atletismo – Desde os Jogos de Roma, em 1960, o atletismo faz parte oficialmente do esporte paraolímpico. As primeiras medalhas do Brasil em paralimpíadas nesta modalidade vieram em 1984, em Nova Iorque e em StokeMandeville, Inglaterra. Atletas com deficiência física e visual, de ambos os sexos, podem praticar a modalidade. As provas são de acordo com a deficiência dos competidores, divididas entre corridas, saltos, lançamentos e arremessos.

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foto de João Maia

Nas provas de pista (corridas), dependendo do grau de deficiência visual do atleta, ele pode ser acompanhado por um atleta-guia, que corre ao seu lado ligado por uma cordinha. O guia tem a função de direcionar o atleta, mas não deve puxá-lo, sob pena de desclassificação. As competições seguem as regras da Federação Internacional de Atletismo (IAAF), com algumas adaptações para o uso de próteses, cadeira de rodas ou guia, mas sem oferecer vantagem em relação aos seus adversários.

Basquetebol em Cadeira de Rodas– O basquete em cadeira de rodas começou a ser praticado nos Estados Unidos, em 1945. Os jogadores eram ex-soldados do exército norte-americano feridos durante a 2ª Guerra Mundial. A modalidade é uma das poucas que esteve presente em todas as edições dos Jogos Paralímpicos.

Nesta categoria, as mulheres disputaram a primeira paraolimpíada em TelAviv, em 1968. O basquete em cadeira de rodas foi a primeira modalidade paraolímpica a ser praticada no Brasil, em 1958. A modalidade é praticada por atletas de ambos os sexos que tenham alguma deficiência físico-motora de acordo com as regras adaptadas da Federação Internacional de Basquete em Cadeira de Rodas (IWBF).

As cadeiras são adaptadas, padronizadas e previstas em regras. A cada dois toques na cadeira, jogador deve quicar, passar ou arremessar a bola. As dimensões da quadra e a altura da cesta são as mesmas do basquete olímpico.

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foto de Ana Carolina Fernandes

Bocha– A bocha estreou no programa paralímpico oficial em 1984 na cidade de Nova Iorque, com disputas individuais no feminino e masculino. Competem paralisados cerebrais severos que utilizam cadeira de rodas. Em Atlanta 1996 foi incluído o jogo de duplas. O objetivo do jogo é lançar bolas coloridas o mais perto possível de uma bola branca chamada de “jack” (conhecida no Brasil como “bolim”).

É permitido o uso das mãos, dos pés ou de instrumentos de auxílio para atletas com grande comprometimento nos membros superiores e inferiores. Há três maneiras de se praticar o esporte: individual, duplas ou equipes. Antes de começar a partida, o árbitro tira na moeda (cara ou coroa) o direito de escolher se quer competir com as bolas de couro vermelhas ou azuis. As partidas ocorrem em quadras cobertas, planas e com demarcações no piso.

As partidas são divididas em “ends”, que só terminam após o lançamento de todas as bolas. Um limite de tempo é estabelecido por “end”, de acordo com o tipo de disputa. Nas competições individuais, são quatro “ends” e os atletas jogam seis esferas em cada um deles. Nas duplas, os confrontos têm quatro partes e cada atleta tem direito a três bolas por período. Quando a disputa é por trios, seis “ends” compõem as partidas. Neste caso, todos os jogadores têm direito a duas esferas por parte do jogo.

Ciclismo– O ciclismo começou na década de 80, quando somente deficientes visuais competiam. Anos depois ,o Brasil estreou nos Jogos Paralímpicos, em Barcelona 1992. Paralisados cerebrais, deficientes visuais, amputados e lesionados medulares (cadeirantes), de ambos os sexos, competem no ciclismo.

A Paralimpíada de Nova Iorque 1984 foi a primeira com atletas paralisados cerebrais, amputados e deficientes visuais. Em Seul 1988, o ciclismo de estrada entrou no programa oficial de disputas. A partir de Atlanta 1996, cada tipo de deficiência passou a ser avaliado de forma específica. Na edição dos jogos em Beijing foram incluídas provas de velódromo. Paralisados cerebrais, deficientes visuais, amputados e lesionados medulares (cadeirantes), de ambos os sexos, competem no ciclismo.

Existem duas maneiras de ser praticada: individual ou em equipe. As regras seguem as da União Internacional de Ciclismo (UCI), mas com pequenas alterações relativas à segurança e classificação dos atletas. As bicicletas podem ser de modelos convencionais ou triciclos para paralisados cerebrais, segundo o grau de lesão. O ciclista cego compete em uma bicicleta dupla – conhecida como “tandem” – com um guia no banco da frente dando a direção. Para os cadeirantes, a bicicleta é “pedalada” com as mãos: é o handcycling. As provas são de velódromo, estrada e contra-relógio.

No velódromo, as bicicletas não têm marchas e a competição acontece em uma pista oval que tem entre 250 e 325 metros de extensão. Velocidade em todas as provas é fundamental. Na estrada, os ciclistas de cada categoria largam ao mesmo tempo. As competições são as mais longas da modalidade, com até 120 km de percurso. As disputas contra-relógio exigem mais velocidade que resistência. Os atletas largam de um em um minuto, pedalando contra o tempo. Nesta prova a posição dos ciclistas na pista não diz, necessariamente, a colocação real em que se encontram, pois tudo depende do tempo.

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foto de Leonardo Eroico

Esgrima em Cadeira de Rodas– Modalidade para atletas em cadeiras de rodas.O programa tem 15 provas – equipes e individuais, masculinas e femininas, em florete e espada. Só os homens é que competem com sabre. As cadeiras de rodas são presas ao chão para dar estabilidade e permitir a liberdade de movimentos na parte superior do corpo do esgrimista. Os atletas estão ligados a uma caixa eletrônica que conta os toques da arma.

Nas provas individuais, o primeiro esgrimista a marcar 5 toques em pools e 15 toques em eliminação direta é declarado vencedor.Nas provas por equipe, ganham os primeiros a marcar 45 toques. A esgrima em cadeiras de rodas foi inserida nos Jogos Paralímpicos de Roma 1960.

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foto de Ana Carolina Fernandes

Futebol de Cinco– Existem relatos que no Brasil, na década de 50, cegos jogavam futebol com latas. Em 1978, nas Olimpíadas das APAES, em Natal, foi realizado o primeiro campeonato de futebol com jogadores deficientes visuais. A primeira Copa Brasil foi em 1984, na capital paulista. Das quatro edições da Copa América, os brasileiros trouxeram três ouros: em 1997, na capital paraguaia Assunção; em 2001, na cidade paulista de Paulínia; e em 2003, na capital colombiana de Bogotá – título que garantiu a presença da seleção em Atenas.

Em Buenos Aires, em 1999, na Copa América, os brasileiros ganharam dos argentinos. Em 1998, o Brasil sediou o primeiro Mundial de futebol e levou o título. Dois anos depois, em Jerez de La Frontera, na Espanha, a seleção se sagrou campeã novamente. Em Atenas 2004 a seleção masculina do Brasil estreou nos Jogos Paralímpicos e conquistou a medalha de ouro numa vitória sobre a Argentina por 3 a 2 nos pênaltis. O futebol de cinco é exclusivo para cegos ou deficientes visuais.

As partidas normalmente são em uma quadra de futsal adaptada, mas desde os Jogos Paraolímpicos de Atenas também vem sendo praticado em campos de grama sintética. O goleiro tem visão total e não pode ter participado de competições oficiais da FIFA nos últimos cinco anos. Junto às linhas laterais, são colocadas bandas que impedem que a bola saia do campo. Cada time é formado por cinco jogadores – um goleiro e quatro na linha. Diferente dos estádios com a torcida gritando, as partidas de futebol de cinco são silenciosas, em locais sem eco.

A bola tem guizos internos para que os atletas consigam localizá-la. A torcida só pode se manifestar na hora do gol. Os jogadores usam uma venda nos olhos e se tocá-la é falta. Com cinco infrações o atleta é expulso de campo e pode ser substituído por outro jogador. Há ainda um guia, o “chamador”, que fica atrás do gol, para orientar os jogadores, dizendo onde devem se posicionar em campo e para onde devem chutar. O jogo tem dois tempos de 25 minutos cada e um intervalo de 10 minutos.

Futebol de Sete– Em 1978 surgiu o futebol de 7 para paralisados cerebrais. E foi na cidade de Edimburgo, na Escócia, que aconteceram as primeiras partidas. A primeira Paraolimpíada em que a modalidade esteve presente foi em Nova Iorque 1984. Em Barcelona 1992, o Brasil estreou nos Jogos Paralímpicos e ficou em sexto lugar. O futebol de sete é praticado por atletas do sexo masculino, com paralisia cerebral, decorrente de seqüelas de traumatismo crânio-encefálico ou acidentes vasculares cerebrais.

As regras são da FIFA, mas com algumas adaptações feitas pela Associação Internacional de Esporte e Recreação para Paralisados Cerebrais (CP-ISRA). O campo tem no máximo 75 m x 55 m, com balizas de 5 m x 2 m e a marca do pênalti fica a 9,20m do centro da linha de gol. Cada time tem sete jogadores (incluindo o goleiro) e cinco reservas. A partida dura 60 minutos, divididos em dois tempos de 30, com um intervalo de 15 minutos. Não existe regra para impedimento e a cobrança lateral pode ser feita com apenas uma das mãos, rolando a bola no chão. Os jogadores pertencem às classes menos afetadas pela paralisia cerebral e não usam cadeira de rodas.

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foto de Ana Carolina Fernandes

Goalball– O goalball foi criado em 1946 pelo austríaco HanzLorezen e pelo alemão Sepp Reindle, que tinham como objetivo reabilitar veteranos da Segunda Guerra Mundial que perderam a visão. Nos Jogos de Toronto 1976, sete equipes masculinas apresentaram a modalidade aos presentes. Dois anos depois foi realizado o primeiro Campeonato Mundial de Goalball, na Áustria. Em 1980, na Paraolimpíada de Arnhem, o esporte passou a integrar o programa paraolímpico. Em 1982, a Federação Internacional de Esportes para Cegos (IBSA) começou a gerenciar a modalidade. As mulheres entraram para o goalball nas Paralimpíadas de Nova Iorque, em 1984.

A modalidade foi implementada no Brasil em 1985. Inicialmente, o Clube de Apoio ao Deficiente Visual (CADEVI) e a Associação de Deficientes Visuais do Paraná (ADEVIPAR) realizaram as primeiras partidas. O primeiro campeonato brasileiro de goalball foi realizado em 1987. Ao contrário de outras modalidades paraolímpicas, o goalball foi desenvolvido exclusivamente para pessoas com deficiência – neste caso, a visual.

A quadra tem as mesmas dimensões da de vôlei (9 m de largura por 18 m de comprimento). As partidas duram 20 minutos, com dois tempos de 10. Cada equipe conta com três jogadores titulares e três reservas. De cada lado da quadra tem um gol com nove metros de largura e 1,2 de altura. Os atletas são, ao mesmo tempo, arremessadores e defensores.

O arremesso deve ser rasteiro e o objetivo é balançar a rede adversária. A bola possui um guizo em seu interior que emite sons – existem furos que permitem a passagem do som – para que os jogadores saibam sua direção. O goalball é um esporte baseado nas percepções tátil e auditiva, por isso não pode haver barulho no ginásio durante a partida, exceto no momento entre o gol e o reinício do jogo. A bola tem 76 cm de diâmetro e pesa 1,25 kg. Sua cor é alaranjada e é mais ou menos do tamanho da de basquete. Hoje o goalball é praticado em 112 países nos cinco continentes.

Halterofilismo– O halterofilismo apareceu pela primeira vez em uma paraolimpíada, em 1964, em Tóquio. A deficiência dos atletas era exclusivamente lesão da coluna vertebral. Até os Jogos de Atlanta 1996, somente os homens competiam. Quatro anos depois, em Sydney, as mulheres entraram de vez para a modalidade. Atualmente, 109 países possuem halterofilistas paraolímpicos.

O Brasil estreou nos Jogos de Atlanta, com o atleta Marcelo Motta. No halterofilismo, os atletas permanecem deitados em um banco, e executam um movimento conhecido como supino. A prova começa no momento em que a barra de apoio é retirada – com ou sem a ajuda do auxiliar central – deixando o braço totalmente estendido. O atleta flexiona o braço descendo a barra até a altura do peito.

Em seguida, elevam-na até a posição inicial, finalizando o movimento. Hoje, competem atletas com deficiência física nos membros inferiores ou paralisia cerebral. As categorias são subdivididas pelo peso corporal de cada um. São dez categorias femininas e dez masculinas. O atleta pode realizar o movimento três vezes, sendo validado o maior peso. Os árbitros ficam atentos à execução contínua do movimento e à parada nítida da barra no peito.

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foto de Ricardo Rojas

Hipismo– A estréia paraolímpica do hipismo foi nos Jogos de Nova Iorque, em 1984. Três anos depois, foi realizado o primeiro Mundial, na Suécia. Mas a modalidade precisava se desenvolver quantitativamente ainda e só voltou ao programa oficial na Paraolimpíada de Sydney 2000.

A única disciplina do Hipismo do Programa Paralímpico é o adestramento. Em março de 2002, nasceu o hipismo paraolímpico nacional a partir de um curso promovido pela Confederação Brasileira de Hipismo (CBH). O hipismo paralímpico é praticado por atletas com vários tipos de deficiência, em cerca de 40 países.

A competição de hipismo é mista, ou seja, cavaleiros e amazonas competem juntos nas mesmas provas. Outra característica da modalidade é que não só os competidores recebem medalhas, mas os cavalos também.

Judô– A arte marcial foi a primeira modalidade de origem asiática a entrar no programa paralímpico. Praticada desde a década de 70, teve sua estréia nas Paraolimpíadas em Seul 1988. Na época, só lutaram os homens com deficiência visual. E assim foi em Barcelona, Atlanta e Sydney.

Os Jogos Paralímpicos de Atenas 2004 marcam a entrada das mulheres nos tatames. A entidade responsável pelo esporte é a Federação Internacional de Esportes para Cegos, fundada em Paris, em 1981. O judô é a quarta modalidade brasileira a subir no pódio paraolímpico. Atlanta 1996 teve um significado especial: o Brasil conquistou pela primeira vez a medalha de ouro com o judoca Antônio Tenório da Silva, na categoria até 86 kg. Em Sydney, Tenório foi novamente campeão paralímpico, desta vez na categoria até 90kg. O atleta repetiu o fato em Beijing e entrou para a história do esporte paralímpico.

 

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foto de Ricardo Rojas

Natação– A natação está presente no programa oficial de competições desde a primeira paralimpíada em Roma 1960. O Brasil começou a brilhar em StokeMandeville (1984), onde conquistou cinco medalhas de ouro. E hoje uma potência da natação paraolímpica, tendo vários atletas recordistas mundiais. Na natação competem atletas com todos os tipos de deficiência física e visual em provas dos 50 m aos 400 m no estilo livre, dos 50 m aos 100 m nos estilos peito, costas e borboleta. O medley é disputado em provas de 150 m e 200 m.

As provas são divididas nas categorias masculino e feminino, seguindo as regras do IPC Swimming, órgão responsável pela natação no Comitê Paralímpico Internacional. As adaptações são feitas nas largadas, viradas e chegadas. Os nadadores cegos recebem um aviso do “tapper”, por meio de um bastão com uma ponta de espuma, quando estão se aproximando das bordas.

A largada também pode ser feita na água, no caso de atletas de classes mais baixas, que não conseguem sair do bloco. As baterias são separadas de acordo com o grau e o tipo de deficiência.

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foto de Renato Gaiofato

Rúgbi em Cadeira de Rodas– O rúgbi é um esporte para atletas com quadriplegia. Podem disputar a modalidade homens e mulheres em equipes mistas. O rúgbi em cadeira de rodas foi um esporte de demonstração nos Jogos de Atlanta e foi incluído no programa dos Jogos de Sydney, em 2000.

Tênis de Mesa– O tênis de mesa é um dos mais tradicionais esportes paraolímpicos, disputado desde os Jogos de Roma tanto no masculino quanto no feminino. Todas as edições dos Jogos Paralímpicos tiveram disputas da modalidade. Com o passar dos anos, ocorreram algumas mudanças.

Desde os Jogos de Roma 1960 até TelAviv 1968, eram disputadas partidas no individual e em duplas. Em Heidelberg 1972 começaram as disputas por equipes. Toronto 1976 e Arnhem 1980 só tiveram disputas de jogos simples e por equipe. O open entrou no calendário paralímpico oficial nos Jogos de 1984 e em Seul 1988. Em Barcelona 1992, as disputas passaram a ser apenas no individual e por equipe. Já em Atenas, também teve disputa de duplas. A história do tênis de mesa no Brasil se confunde com a do Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB), pois a modalidade começou com a fundação do Comitê, em 1995.

No tênis de mesa participam atletas do sexo masculino e feminino com paralisia cerebral, amputados e cadeirantes. As competições são divididas entre atletas andantes e cadeirantes. Os jogos podem ser individuais, em duplas ou por equipes. As partidas consistem em uma melhor de cinco sets, sendo que cada um deles é disputado até que um dos jogadores atinja 11 pontos. Em caso de empate em 10 a 10, vence quem primeiro abrir dois pontos de vantagem.

A raquete pode ser amarrada na mão do atleta para facilitar o jogo. A instituição responsável pela modalidade é a Federação Internacional de Tênis de Mesa (ITTF). Em relação ao tênis de mesa convencional existem apenas algumas diferenças nas regras, como na hora do saque para a categoria cadeirante.

Tênis em Cadeira de Rodas– O tênis em cadeira de rodas foi criado em 1976, nos Estados Unidos, por Jeff Minnenbraker e Brad Parks. Eles construíram as primeiras cadeiras adaptadas para o jogo e o difundiram pelo seu País. Em 1977,foi realizado o primeiro torneio da modalidade, em Griffith Park, na Califórnia. O primeiro campeonato nacional nos EUA aconteceu em 1980. Oito anos depois, foi fundada a Federação Internacional de Tênis em Cadeira de Rodas (IWTF).

Em 1988, a modalidade foi exibida nos Jogos Paralímpicos de Seul. Em 1991, a entidade foi incorporada à Federação Internacional de Tênis (ITF), que hoje é a responsável pela administração, regras e desenvolvimento do esporte em nível global. Barcelona 1992 foi o marco para o tênis em cadeira de rodas, pois passou a valer medalhas. Desde então, homens e mulheres disputam medalhas nas quadras em duplas ou individuais.

Tiro– O tiro estreou na Paralimpíada de Toronto 1976. Na época, somente os homens competiram. Já nos Jogos de Arnhem 1980, na Holanda, as mulheres entraram com tudo nas disputas, inclusive nas provas mistas. Em 1984, as provas paraolímpicas mistas deixaram de existir, sendo retomadas em Barcelona.

Na ocasião, a categoria mista voltou em substituição ao feminino. A volta dos três tipos de disputa aconteceu nos Jogos de Atlanta 1996. Nos Jogos Paralímpicos de Sydney 2000, a disputa pelo ouro aconteceu entre homens, mulheres e nos confrontos entre ambos. No Brasil, a modalidade começou a ser praticada em 1997, no Centro de Reabilitação de Polícia Militar do Rio de Janeiro.

O tiro exige precisão apurada. O Comitê de Tiro Esportivo do Comitê Paralímpico Internacional (IPC) é responsável pela administração da modalidade. As regras das competições têm apenas algumas adaptações. Pessoas amputadas, paraplégicas, tetraplégicas e com outras deficiências locomotoras podem competir tanto no masculino como no feminino.

As regras variam de acordo com a prova, a distância, o tipo do alvo, posição de tiro, número de disparos e o tempo que o atleta tem para atirar. Em cada competição as disputas ocorrem numa fase de classificação e numa final. As pontuações de ambas as fases são somadas e vence quem fizer mais pontos. O alvo é dividido em dez circunferências que valem de um a dez pontos e são subdivididas, cada uma, entre 0.1 e 0.9 pontos. A menor e mais central circunferência é a que vale mais, dez pontos. Sendo assim, o valor máximo que pode ser conseguido é de 10.9.

A tecnologia está sempre presente na modalidade. Durante os Jogos Paralímpicos, os alvos são eletrônicos e os pontos são imediatamente projetados num placar. Nem as roupas e as armas utilizadas fogem da evolução tecnológica. Há diferença das vestimentas nas provas para cada tipo de arma. Nas competições de rifle, por exemplo, é necessário usar uma roupa com a espessura estipulada pela ISSF. Em eventos de pistola, os atiradores só são obrigados a usar sapatos especiais feitos de tecido, que dão mais estabilidade aos atletas.

Tiro com Arco– O objetivo do arqueiro é lançar flechas no alvo marcado com dez anéis concêntricos, aumentando a pontuação quanto menor e mais perto for a flecha do menor centro do alvo.Acertar no alvo vale 10 pontos. O esporte é praticado geralmente ao ar livre.O alvo é colocado em distâncias diferentes entre 30 e 90 metros. Nos Jogos Paralímpicos, a distância é 70 metros.

Nas competições em ambientes fechados, as distâncias variam entre 18 e 25 metros. O tamanho do alvo também varia com a distância.Em maiores distâncias, tem o diâmetro de 122 cm e nos 18 metros, mede 40 cm de diâmetro. O tiro com arco é uma modalidade para atletas com deficiência motora, disputadas individualmente ou em equipe. Podem competir em cadeiras de rodas ou de pé, com um total de 7 provas. A modalidade tornou-se paralímpica nos Jogos de Roma em 1960.

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Remo– Nos anos 80, a Superintendência de Desportos do Rio de Janeiro (SUDERJ) iniciou um programa da reabilitação com o remo, que foi batizado de “Remo Adaptado”. Pessoas com deficiência física (lesão medular, pólio e paralisia cerebral), mental e, mais tarde, deficientes auditivos se beneficiaram do programa. Além da reabilitação e lazer, o objetivo era melhorar a qualidade de vida, por meio da inserção social e dos benefícios à saúde, ambos oriundos da prática esportiva.

Em 2001, a Federação Internacional de Remo (FISA) solicitou formalmente ao Comitê Paralímpico Internacional (CPI) a inclusão do remo nos Jogos Paraolímpicos de 2008. Em julho de 2005 a CBR reativou seu Departamento de Remo Adaptável. O Brasil foi representado em Beijing por nove atletas.O remo é o caçula das modalidades do quadro de esportes paraolímpicos. Ele entrou no programa em 2005 e fez sua extreia nos Jogos Paralímpicos de Beijing.

O termo “adaptado” quer dizer que o equipamento é modificado para a prática do esporte e não propriamente “adaptado” a cada atleta. A Federação Internacional de Remo (FISA) é o órgão máximo do remo mundial. As corridas são realizadas num percurso de 1000 metros para todas as quatro classes.

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foto de José Paulo Sabadini de Lima (técnico da Claudia Santos, acima)

Vela– Pessoas com deficiência locomotora ou visual podem competir na modalidade. Dois tipos de barco são utilizados nas competições internacionais. Os barcos da classe 2.4mR são tripulados por um único atleta, pesam 260 quilos e possuem 4,1m de comprimento. Os barcos da classe sonar são tripulados por uma equipe de três pessoas, que deve ser classificada em função dos tipos de deficiência.

Esses barcos são maiores, pesando cerca de 900 Kg e medindo cerca de 7 m. Tanto o 2.4mR como o Sonar são barcos de quilha, uma peça de metal situada abaixo do casco do barco que impede que ele vire. As competições são chamadas de regatas e os percursos são sinalizados com bóias. Duas rotas devem ser percorridas pelos velejadores. A sinalização dos trajetos é alterada de acordo com as condições climáticas do dia. Caso a direção e a força do vento se alterem, as bóias são reposicionadas.

A organização de cada torneio tem um barco com pessoas responsáveis por monitorar as condições do vento e alterar a colocação da sinalização do percurso. Em ambos os tipos de embarcações, as competições consistem em uma série de nove disputas em separado. Ganha cada prova quem percorrer o trajeto em menor tempo.

O vencedor conquista um ponto, o segundo fica com dois e assim por diante. Ao final das nove disputas, o pior resultado é descartado e quem tiver a menor soma de pontos é declarado campeão. Os vencedores das regatas normalmente são os velejadores que conseguem imprimir uma maior velocidade nos barcos, realizar melhores manobras e buscar as melhores condições de vento (tática de regata).

Vôlei Sentado– O voleibol sentado é um esporte para atletas com deficiência física. Existem provas de voleibol de pé e sentado, embora apenas as provas sentadas tenham sido incluídas no programa de Atenas 2004 O voleibol sentado é jogado num campo menor, (10x6m) com rede mais baixa (1.15m para homens e 1.05m para mulheres) e cada jogo é composto por um total de 5 sets.

Cada dos primeiros 4 sets está completo quando a equipe marcar 25 pontos com uma diferença de pelo menos 2 pontos sobre o adversário. Ganha o jogo a primeira equipe que vencer os primeiros sets. O time tem 12 jogadores e um líbero. O voleibol sentado é um desporto para atletas com deficiência física. Existem provas de voleibol de pé e sentado, embora apenas as provas sentadas tenham sido incluídas no programa de Atenas 2004.

(Fonte:Comitê Paralímpico Brasileiro)

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